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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

A cidade gasta cada vez mais, mas a cultura encolhe, quem fica por último na fila é a cultura feita nas periferia

Análise Orçamentária · Cidade de São Paulo 2017–2026

O orçamento
que não chega
à periferia

Execução do orçamento da cultura da cidade de São Paulo (2017–2026): valores empenhados e pagos, com foco em Hip Hop, Capoeira e políticas culturais de periferia.

Fontes: SOF/SEPLAN, TCM-SP (IRIS), Fórum Hip Hop MSP, CMSP Extração: 01/10/2026 · Elaborado em outubro de 2026
01

Sumário executivo

O que os números mostram: a cidade gasta cada vez mais, mas a cultura encolhe proporcionalmente — e dentro dela, quem fica por último na fila do pagamento é a cultura feita nas periferias.

R$ 49 bi → R$ 117 bi
Crescimento do total pago

O total pago pela Prefeitura cresceu de R$ 49,0 bi (2017) para R$ 116,8 bi (2025) — alta nominal de 138%. O bolo da cidade mais que dobrou.

1,07% → 0,95%
Fatia da Função Cultura

A fatia da cultura no total pago caiu de 1,07% (2017) para 0,95% (2025). Em 2026 (até setembro), está em 0,72%. Cresce em absoluto, mas perde espaço relativo.

53%
Execução do Hip Hop (2021–2025)

De cada R$ 100 previstos em lei para os programas de Hip Hop, só R$ 53 foram pagos. R$ 34,63 mi previstos; R$ 18,28 mi pagos.

R$ 0,00
Pago ao Hip Hop em 2026

Até setembro de 2026, apesar de R$ 4,75 milhões previstos. Em 2018, ano em que a execução também foi zero, foram R$ 5,1 mi previstos.

-99,9%
Corte no Fundo Municipal de Cultura

Decreto nº 65.010/2026 cancelou R$ 70,6 mi dos R$ 72,5 mi do Fundo. O Fomento às Linguagens Artísticas ficou com R$ 60,2 mil no ano.

02

Principais achados

1. O bolo cresce, a fatia encolhe

A cidade pagou R$ 49,0 bi em 2017 e R$ 116,8 bi em 2025 (+138%). A Função Cultura foi de R$ 523 mi para R$ 1.115 mi — cresceu, mas menos que a cidade. A fatia caiu de 1,07% para 0,95%.

2. SMC: recorde nominal, participação baixa

A Secretaria Municipal de Cultura pagou R$ 888,6 mi em 2025 — recorde nominal —, mas apenas 0,76% do total pago pela cidade. Em 2010, a fatia era 0,837%.

3. Abismo entre prometer e pagar

Função Cultura pagou 69% do orçado em 2017 e 77% em 2021. Nos programas de Hip Hop, a taxa ficou em torno de 50% (2021–2025). No Fomento à Cultura da Periferia, chegou a 15% em 2021.

4. 2018: o ano-símbolo do apagão

R$ 5,1 milhões previstos para ações de Hip Hop (Mês, Território, Casas) e execução de R$ 0,00 — nem empenhado, nem pago.

5. Capoeira: patrimônio sem execução

A "Casa da Capoeira" foi orçada em 2017, 2019 e 2020 sem nunca ser executada. O "Museu Municipal da Capoeira" teve R$ 3 mi em 2023 e R$ 0 executado. Em 2022, cinco ações receberam dotação simbólica de R$ 1.000.

6. Concentração no Centro

Em 2025, a região da Sé/Centro concentrou R$ 217,8 mi em empenhos — mais que toda a região Norte (R$ 134,8 mi) e quase 2,4 vezes a Oeste (R$ 90,7 mi).

7. Fomento: 13 de 15 programas abaixo do previsto

Em 2025, dos R$ 159,7 mi previstos, R$ 37,1 mi não foram empenhados. Os mais afetados: Lei de Fomento à Dança, Reggae e Linguagens Artísticas.

8. Recursos federais em risco

Lei Paulo Gustavo (R$ 23 mi recebidos em dez/2023): até maio/2025 só R$ 13,41 mi haviam sido executados, segundo ofício do Fórum Hip Hop MSP.

03

Como ler o orçamento

Do papel ao bolso de quem faz cultura: quatro estágios, uma diferença crucial.

1. Orçado (LOA)

O valor que a Câmara Municipal aprova na Lei Orçamentária Anual. É a promessa: "este ano vamos gastar até X com isso".

2. Empenhado

A Prefeitura reserva o dinheiro e assume a obrigação (contrato assinado, edital contratado). É o "dinheiro comprometido".

3. Liquidado

O serviço foi prestado ou o bem entregue e a Prefeitura confirma que deve pagar.

4. Pago

O dinheiro finalmente sai do cofre e chega a quem executou: o grupo de Hip Hop, a roda de capoeira, o produtor cultural da periferia.

Quando um edital é anunciado mas o empenho não sai — ou o empenho sai em dezembro e o pagamento fica para o ano seguinte (os chamados "restos a pagar") —, a política cultural existe no discurso e na lei, mas não na vida dos territórios.

— Trecho do relatório

Atenção

Valores nominais: a inflação acumulada entre 2017 e 2025 foi da ordem de 50% — parte do crescimento em R$ apenas repõe preços.

Importante

Restos a pagar: o "pago" de cada ano inclui pagamentos de exercícios anteriores — por isso, em anos como 2019 e 2024, o pago pode se aproximar ou superar a dotação inicial.

04

O orçamento da cidade, 2017–2026

A cidade de São Paulo executa o maior orçamento municipal do país. Entre 2017 e 2025, a despesa empenhada passou de R$ 51,4 bi para R$ 123,6 bi, e a paga, de R$ 49,0 bi para R$ 116,8 bi — crescimento nominal de cerca de 138% e 140%.

Orçamento da cidade de São Paulo — despesa empenhada e paga (2017–2026) R$ bilhões nominais
2017
R$ 49 bi
2018
R$ 51 bi
2019
R$ 56 bi
2020
R$ 59 bi
2021
R$ 66 bi
2022
R$ 81 bi
2023
R$ 97 bi
2024
R$ 117 bi
2025
R$ 117 bi
2026*
R$ 117 bi

*2026: parcial, até set/2026. Fonte: elaboração própria sobre a base consolidada SOF/SEPLAN-SMF.

Ano Orçado (LOA) Empenhado Liquidado Pago Pago / Orçado
201754,6951,4149,3348,9990%
201856,3754,1651,8351,3891%
201960,5659,3955,8655,6192%
202068,9964,9259,5959,1186%
202167,9673,4266,7666,4998%
202282,7691,0981,3080,8898%
202395,88106,8398,3096,92101%
2024111,85123,91117,33117,01105%
2025125,65123,57117,01116,8693%
2026*137,40109,9689,64——

* 2026: dados parciais (extração de 01/10/2026). Em alguns anos o empenhado/pago supera a dotação inicial da LOA porque incorpora créditos suplementares e restos a pagar. Fonte: base SOF.

05

A Função Cultura: cresce no papel, encolhe na fatia

A "Função Cultura" reúne tudo o que o município gasta com cultura em todas as secretarias — inclui a SMC, a Fundação Theatro Municipal, ações culturais de outras pastas e fundos setoriais.

R$ 523 mi
Pago em 2017
R$ 1.115 mi
Pago em 2025
Função Cultura — participação no total pago pela cidade % do total pago
2017
1,07%
2018
1,05%
2019
1,19%
2020
1,17%
2021
0,99%
2022
0,82%
2023
0,89%
2024
0,98%
2025
0,95%
2026*
0,72%

*2026: parcial, até set/2026. Fonte: base SOF.

Cresce no papel

A dotação inicial da Função Cultura passou de R$ 754,0 mi em 2017 para R$ 1.235,7 mi em 2026 (+64%). A taxa de pagamento sobre o orçado melhorou: de 69% em 2017 para 96% em 2025.

Encolhe na fatia

A participação da cultura no total pago caiu de 1,07% (2017) para 0,95% (2025), depois de afundar a 0,82% em 2022. O melhor ano foi 2019 (1,19%) — nunca mais repetido.

Se em 2025 a cultura tivesse mantido a participação de 2019 (1,19%), teriam sido pagos cerca de R$ 1,39 bilhão — R$ 275 milhões a mais num único ano. Cada 0,1 ponto percentual do orçamento pago da cidade equivale, em 2025, a aproximadamente R$ 117 milhões — quase cinco vezes tudo o que os programas de Hip Hop receberam em cinco anos.

06

A Secretaria Municipal de Cultura

A SMC é onde estão os programas que chegam aos fazedores de cultura: os editais de fomento, os equipamentos territoriais e os programas formativos. É aqui que se mede a política cultural "na ponta".

R$ 888,6 mi
Pago pela SMC em 2025

O maior valor nominal da série — mas apenas 0,76% de tudo o que a cidade pagou.

0,50%
Pior ano: 2021

R$ 329,6 mi pagos, 0,50% do total. Ano em que a pandemia fechou os equipamentos culturais e, ainda assim, a cidade executou 98% do seu orçamento geral.

54%
Execução da SMC em 2017

A LOA destinou R$ 518,7 mi, mas só R$ 278,2 mi foram pagos — reflexo do amplo contingenciamento aplicado à pasta naquele exercício.

O levantamento do Fórum Hip Hop MSP registra o contraste em 2026: pagamentos zerados para todos os programas de Hip Hop no primeiro trimestre "em nítido contraste com o fluxo regular de repasses para grandes teatros e fundações".

— Fórum Hip Hop MSP
07

Hip Hop: a política que não sai do papel

São Paulo é a capital brasileira do Hip Hop — movimento nascido nas periferias da cidade, patrimônio cultural imaterial do Estado de São Paulo (Lei estadual nº 498/2021). A política municipal se organiza em quatro frentes: Mês do Hip Hop, Território Hip Hop, Casas de Hip Hop e Núcleo Hip Hop.

0%
2018 — O apagão completo

R$ 5,1 milhões previstos para ações de Hip Hop. Execução: R$ 0,00 empenhados, R$ 0,00 pagos. A lei prometeu; a cidade não viu um real.

53%
2021–2025 — Metade do prometido

R$ 34,63 mi previstos; R$ 21,20 mi empenhados (61%); R$ 18,28 mi pagos (53%). Levantamento do Fórum Hip Hop MSP.

R$ 0,00
2026 — Execução zero

Dos R$ 4,75 mi orçados, apenas R$ 274,7 mil foram empenhados e R$ 0,00 foram pagos até setembro.

R$ 1.000
2022 — Dotação simbólica

Cinco ações de capoeira receberam dotação simbólica de R$ 1.000 cada — valor que só existe para manter a rubrica viva no papel.

Hip Hop 2021–2025: metade do previsto nunca chegou a ser paga R$ milhões acumulados
Previsto (LOA)
R$ 34,63 mi
Empenhado
R$ 21,20 mi
Pago
R$ 18,28 mi

Fontes: Fórum Hip Hop MSP (2026) e base SOF. Duas medições independentes convergem para a mesma conclusão: cerca de metade do que a lei destina ao Hip Hop nunca é paga.

As Casas de Hip Hop que nunca saíram do papel

A frente mais emblemática da política é também a mais ausente do orçamento. As Casas de Hip Hop — equipamentos públicos descentralizados prometidos desde 2017 — não aparecem como rubrica orçamentária autônoma em nenhum dos exercícios analisados.

Em audiência pública de novembro de 2025, o próprio movimento passou a cobrar que a expressão do Hip Hop seja ao menos "marcada nas Casas de Cultura" já existentes, reconhecendo que isso "não acontece em todos os territórios".

08

Capoeira: patrimônio sem execução

A capoeira — patrimônio cultural imaterial do Brasil (IPHAN, 2008) e prática central das culturas negras e periféricas paulistanas — repete no orçamento municipal o mesmo roteiro do Hip Hop: dotações anunciadas, execução rarefeita.

R$ 0,00
2017–2022 — Pagamento zero

As ações de capoeira somaram R$ 2,8 mi orçados e menos de R$ 0,5 mi empenhados. O valor pago foi zero em todos os seis anos. A "Casa da Capoeira" foi orçada três vezes e nunca executada.

R$ 0,00
2023 — R$ 8,95 mi orçados, R$ 0 pagos

O orçamento incluiu R$ 3 mi para o "Museu Municipal da Capoeira", R$ 3 mi para um torneio esportivo e R$ 2 mi para o Fomento à Capoeira. Empenharam-se R$ 1,4 mi; não se pagou um real.

R$ 1,37 mi
2025 — Melhora real, mas tardia

Com a criação da rubrica "Fomento e Difusão da Capoeira" (R$ 2–3 mi/ano), a execução finalmente acontece: R$ 0,87 mi pagos em 2024, R$ 1,37 mi em 2025 e R$ 1,48 mi até set/2026.

A demonstração

Quando existe rubrica estável e edital, o dinheiro chega — o problema nunca foi a demanda, e sim a estrutura orçamentária.

09

Periferias: para onde vai (e não vai) o dinheiro

O "Fomento à Cultura da Periferia de São Paulo" é a principal rubrica da SMC voltada diretamente aos territórios. A série 2020–2026 mostra o padrão já conhecido: orçamento anual estável na casa dos R$ 14–16 mi, execução irregular.

Fomento à Cultura da Periferia de São Paulo (2020–2026) R$ milhões
2020
R$ 12,3 mi
2021
15% pago
2022
30% pago
2023
52% pago
2024
—
2025
100%
2026*
50% pago

*2026: parcial, até set/2026. Fonte: base SOF.

Em 2021, dos R$ 14,2 mi orçados, só R$ 2,1 mi foram pagos (15%) — ano em que a periferia cultural mais sofria os efeitos da pandemia. Somente em 2025 a rubrica executou 100% — mostrando, mais uma vez, que o gargalo não é a demanda dos territórios, e sim a capacidade/vontade de execução.

O mapa do dinheiro

Em 2025, a Subprefeitura da Sé (Centro) concentrou R$ 217,8 mi em empenhos da secretaria — valor maior que toda a região Norte (R$ 134,8 mi) e 2,4 vezes a região Oeste (R$ 90,7 mi).

Para onde vai o dinheiro da SMC — empenhos de 2025 por região R$ milhões
Sul
R$ 224,0 mi
Centro
R$ 217,8 mi
Leste
R$ 194,5 mi
Supra-regional
R$ 156,2 mi
Norte
R$ 134,8 mi
Oeste
R$ 90,7 mi

"Supra-regional" reúne ações sem territorialização específica. Fonte: base de execução detalhada SOF.

Entre as dez subprefeituras com mais empenhos, territórios periféricos extremos como Capela do Socorro (R$ 28,5 mi) e Freguesia/Brasilândia (R$ 25,5 mi) aparecem muito atrás das estruturas centralizadas.

10

2026: o ano da paralisação

O exercício de 2026 condensou, em poucos meses, todos os padrões documentados neste relatório — em sua forma mais extrema.

O decreto que esvaziou o Fundo Municipal de Cultura

A LOA de 2026 aprovou R$ 72,5 milhões para o Fundo Municipal de Cultura. Em 13 de março de 2026, a Prefeitura publicou o Decreto nº 65.010/2026, que abriu crédito suplementar de R$ 77,1 milhões — coberto principalmente com R$ 70.647.056 retirados da dotação "Fomento às Linguagens Artísticas".

Na prática, a principal linha de editais da cidade caiu de R$ 70.707.320 para R$ 60.264 — um corte de 99,9%.

A promessa do secretário de Cultura, Totó Parente, assumida em audiência de 13/11/2025, de recompor 100% das verbas dos fomentos, durou somente 72 dias.

Hip Hop: execução zero no ano inteiro

O monitoramento do Fórum Hip Hop MSP registrou execução financeira nula (0%) no primeiro trimestre de 2026 para todos os programas denominados "Hip Hop" — Mês, Território, Casas e Núcleo —, totalizando R$ 4,75 milhões retidos.

A reação do setor

A redução motivou protestos no centro da capital no início de abril de 2026. O presidente do Sated-SP afirmou: "Sua não execução configura não apenas uma falha administrativa, mas um desrespeito institucional tanto ao setor cultural quanto à própria Câmara Municipal."

11

Conclusões e caminhos

1

O bolo cresce, a fatia da cultura encolhe

A cidade pagou R$ 49,0 bi em 2017 e R$ 116,8 bi em 2025 (+138%); a Função Cultura passou de R$ 523 mi para R$ 1.115 mi — cresceu, mas menos que a cidade, caindo de 1,07% para 0,95% do total pago.

2

A promessa não vira pagamento — e a distância é maior na ponta

0% para o Hip Hop em 2018 e 2026; ~53% em 2021–2025; 15% para o fomento de periferia em 2021; seis anos consecutivos de pagamento zero para a capoeira (2017–2022).

3

2026 provou que nem a lei garante

O Decreto nº 65.010/2026 retirou 97% da dotação do Fundo Municipal de Cultura três meses depois de aprovada — mostrando que, sem marco legal consolidado e sem mecanismos de proteção, o orçamento da cultura periférica pode ser desfeito por canetada.

Caminhos apontados pelo próprio setor

  • Marco legal consolidado: votar o PL 560/2022 e o PL 1169/2025 e esclarecer formalmente a base normativa da Política Municipal de Hip Hop.
  • Rubrica orçamentária própria: criar projeto/atividade autônomo para as Casas de Hip Hop e dotação identificável para o Núcleo Hip Hop.
  • Transparência ativa: publicar, por exercício e em formato aberto, demonstrativo segmentado de previsão, empenho e pagamento de cada um dos quatro programas de Hip Hop.
  • Execução mínima com prazo: condicionar a aprovação de futuras peças orçamentárias à prestação detalhada de contas da SMC.
  • Blindar o Fundo: implantar de fato o "CPF da cultura" (Conselho, Plano e Fundo) prometido em audiência pública, com controle social sobre os recursos.

Para fechar

Orçamento é a tradução em números das escolhas de uma cidade. Uma São Paulo que se orgulha de ser a capital do Hip Hop, mas paga metade do que promete ao movimento e zera sua execução em dois anos da década, ainda não transformou o patrimônio das periferias em prioridade real. Os dados oficiais estão todos na mesa — e, a partir de agora, quem faz cultura sabe exatamente onde procurá-los.

12

Metodologia e fontes

Fonte primária: Base consolidada de execução orçamentária do Sistema SOF (Secretaria Municipal da Fazenda / SEPLAN), publicada no portal de Execução Orçamentária da Prefeitura — a mesma que alimenta o sistema IRIS do TCM-SP. Extração: 01/10/2026.

Recortes: (1) município (despesa total); (2) Função Cultura; (3) Secretaria Municipal de Cultura (órgão 25) e Fundo Municipal de Cultura (órgão 79); e (4) ações orçamentárias identificadas por denominação — "Hip Hop", "Capoeira" e "Fomento à Cultura da Periferia de São Paulo".

Notas de leitura e limitações

  • Valores nominais, sem correção pela inflação — a inflação acumulada de 2017 a 2025 foi da ordem de 50%.
  • O exercício de 2026 é parcial (até setembro), o que explica taxas de execução menores.
  • O "pago" de cada ano inclui restos a pagar de exercícios anteriores — por isso pode superar a dotação inicial.
  • O recorte por denominação da ação pode diferir de levantamentos por programa. No caso do Hip Hop, nosso cálculo (R$ 28,4 mi previstos / R$ 14,5 mi pagos em 2021–2025) e o do Fórum (R$ 34,63 mi / R$ 18,28 mi) apontam o mesmo padrão: cerca de metade do previsto nunca é paga.

Referências

  • PREFEITURA DE SÃO PAULO. Execução orçamentária: base consolidada (SOF), 2003–2026. Extração: 01/10/2026.
  • TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. Sistema IRIS: despesas do município de São Paulo.
  • FÓRUM HIP HOP MSP. Política municipal de Hip Hop em São Paulo (2024–2026). São Paulo, 2026.
  • BRASIL DE FATO. Após deixar de executar 23% do fomento da cultura de SP em 2025, gestão Nunes corta 97% do orçamento de 2026. 14 abr. 2026.
  • CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO. Informativo de Finanças e Orçamento nº 45/2026.
  • SÃO PAULO (Município). Decreto nº 65.010, de 13 de março de 2026.

Relatório técnico de leitura cidadã do orçamento público · Fontes: Secretaria Municipal da Fazenda / SEPLAN (SOF) · TCM-SP (IRIS) · Fórum Hip Hop MSP · Câmara Municipal de São Paulo

Dados extraídos da base oficial consolidada em 01/10/2026 · Elaborado em outubro de 2026

forumhiphopmsp.com.br

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

encontro dos movimentos

Encontro dos Movimentos Culturais Periféricos debate orçamento e leis culturais em São Paulo
O Fórum Hip Hop MSP e o Fórum da Capoeira do Município de São Paulo realizam, no dia 2 de outubro de 2026, das 19h às 21h, o Encontro dos Movimentos Culturais Periféricos e as Leis Culturais na Cidade de São Paulo — Orçamento e Efetivação.

A atividade acontece na Câmara Municipal de São Paulo, na Sala Sérgio Vieira de Mello, no 1º subsolo, no Viaduto Jacareí, 100, Bela Vista. A entrada é gratuita.

O encontro reunirá artistas, produtores, capoeiristas, DJs, MCs, breakers, grafiteiros, coletivos, pesquisadores e movimentos sociais para discutir orçamento público, políticas culturais e efetivação dos direitos culturais, especialmente nos territórios periféricos.

Segundo levantamento apresentado pelos organizadores, a Cultura tem previsão de aproximadamente R$ 1,39 bilhão entre janeiro e setembro de 2026, com R$ 604,4 milhões em gastos. Para o Hip Hop, o levantamento aponta R$ 4,75 milhões previstos e R$ 0,00 executados no período analisado.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

"Segurança pública não é polícia, é dignidade": Em discurso forte na ALESP, sociólogo do Hip-Hop denuncia dados do genocídio negro no Brasil

 


"Segurança pública não é polícia, é dignidade": Em discurso forte na ALESP, sociólogo do Hip-Hop denuncia dados do genocídio negro no Brasil

Durante debate promovido pelo Fórum H2O, Nando Comunista expõe estatísticas de letalidade juvenil, critica a redução da maioridade penal e exige o cumprimento integral do ECA. SÃO PAULO — Em um pronunciamento de alto impacto no Fórum H2O, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), o sociólogo, professor da rede pública e integrante do coletivo Força Ativa, Nando Comunista, apresentou uma crítica profunda à estrutura atual da segurança pública brasileira. Para o palestrante, o modelo focado no armamento e no policiamento ostensivo atua como mecanismo de controle populacional, e não como garantidor de direitos fundamentais. "Falar de segurança pública não é falar de Polícia Militar. É pensar como está a dignidade humana da nossa população, da classe trabalhadora, das pessoas pretas e periféricas. Força policial, na prática do Estado, serve como controle social para defender patrimônio" [04:38], afirmou o sociólogo. Números da violência e desproteção social Com base em dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e estudos apresentados em órgãos como a UNIFESP, a exposição destacou a vulnerabilidade extrema de crianças e adolescentes no país: Desigualdade Racial: Entre os adolescentes de 15 a 19 anos mortos por violência intencional no país, 82,9% são meninos negros . Disparidade por Habitantes: A taxa de homicídios de adolescentes pretos chega a 18,2 por 100 mil habitantes, enquanto a de adolescentes brancos é de 4,1. Exploração Sexual e Redes Digitais: O levantamento indicou mais de 164 mil casos de estupro de vulneráveis. Nando apontou a omissão do Estado e a cumplicidade de grandes empresas de tecnologia (Big Techs), que lucram e monetizam em cima de redes de pedofilia no ambiente virtual ]. Violência de Estado: Mais de 4 mil crianças e adolescentes foram mortos por ações policiais [ Prioridades orçamentárias sob questionamento Nando também criticou as propostas legislativas que avançam no Congresso Nacional para a redução da maioridade penal, classificando-as como um retrocesso frente à doutrina de proteção integral garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo artigo 227 da Constituição Federal. O palestrante destacou a discrepância de investimentos no Estado de São Paulo, onde orçamentos bilionários são destinados às forças de segurança enquanto setores essenciais como cultura, espaços de convivência para jovens e políticas de igualdade racial permanecem desassistidos. O discurso conclui com um apelo para que a sociedade civil e os legisladores reconstruam a política de segurança a partir dos princípios do artigo 3º da Constituição Federal — voltados para o bem comum e a erradicação da marginalização. #SegurançaPública #DireitosHumanos #MovimentoHipHop #CulturaPeriférica #ECA #ConsciênciaNegra #JustiçaSocial #DebateALESP

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Dados da Cultura SP



Fórum Hip Hop MSP relata: a Prefeitura de São Paulo prometeu destinar cerca de R$ 1,23 bilhão à cultura, equivalente a 0,9% de um orçamento de aproximadamente R$ 130 bilhões. Até agosto de 2026, porém, foram gastos R$ 350,9 milhões, valor 15,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025 e correspondente a apenas 28,4% do montante previsto para todo o ano.

Esse cenário revela um possível efeito gargalo na execução das políticas culturais. Enquanto áreas como Urbanismo e Transporte registraram crescimento orçamentário de 24,9% e 24,4%, respectivamente, a cultura enfrenta redução na execução e um possível risco de subexecução do orçamento anual.

Outro ponto de preocupação é o chamado congelamento de recursos, estimado em R$ 131 milhões, que pode atingir especialmente a manutenção de equipamentos culturais, como teatros e bibliotecas, além das políticas de fomento à cultura das periferias. Para o Fórum Hip Hop MSP, a prioridade deveria ser a construção de uma política cultural estruturante, e não apenas a realização de grandes eventos ou o custeio de despesas correntes.

A Secretaria Municipal de Cultura recebeu R$ 169,9 milhões em suplementações, mas a questão central é saber onde esses recursos estão sendo efetivamente aplicados e quais políticas públicas foram beneficiadas. A transparência sobre a origem e o destino dessas suplementações é fundamental para avaliar a qualidade da execução orçamentária.

Há ainda o risco da chamada “armadilha dos restos a pagar”, quando despesas de exercícios anteriores comprometem recursos disponíveis no orçamento atual. Somado à possibilidade de concentração de gastos no final do ano, esse mecanismo pode produzir uma execução acelerada, pouco planejada e distante das prioridades estabelecidas pelas políticas públicas.

O artigo 215 da Constituição Federal estabelece que o Estado deve garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais. Nesse sentido, a execução insuficiente e recorrente do orçamento destinado à cultura merece fiscalização e debate público, especialmente quando recursos destinados à manutenção dos equipamentos e ao fomento cultural periférico permanecem sem execução adequada.

O desafio, portanto, não é apenas quanto a Prefeitura orça, mas quanto efetivamente executa, onde aplica e quais resultados entrega à população. Para o Fórum Hip Hop MSP, cultura não pode ser tratada como despesa residual ou concentrada no fim do exercício. É necessário planejamento, transparência, participação social e investimento contínuo para transformar o orçamento cultural em direito efetivamente acessível a toda a cidade de São Paulo.



sábado, 15 de agosto de 2026

Geógrafa e doutora pela USP Carin Carrer

Debate  Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), a geógrafa e doutora pela USP Carin Carrer contesta o conceito tradicional de segurança pública focado na repressão e propõe uma abordagem baseada no Direito ao Território, inspirada na geografia crítica de Milton Santos e Neil Smith.

Os Principais Pontos da Exposição
Segurança como Direito ao Território: Para a geografia crítica, segurança não se reduz ao policiamento ostensivo, mas sim à garantia do direito de existir e acessar os recursos do território com dignidade, sem a constante suspeição estatal.

A Pena Transformada em Logística: A palestrante destaca a interiorização do sistema penitenciário paulista, localizado a mais de 700 km da capital (como no Oeste Paulista, em Presidente Prudente). Esse modelo consome parcelas expressivas do orçamento em transporte, combustíveis e manutenção de frotas em vez de investimentos na Defensoria Pública ou na garantia de direitos.

Geografia da Execução Penal: O isolamento dos estabelecimentos penais afasta os custodiados de suas famílias e da assistência jurídica, servindo à manutenção da ordem de produção econômica e do controle populacional, em vez de focar na reintegração ou na liberdade.

Mobilização Territorial e Diálogo Circular: A proposta central defende o mapeamento de gargalos locais por meio de escutas comunitárias — em bairros, universidades, sindicatos e coletivos — para formular políticas públicas de segurança com participação popular e orçamento direcionado às reais necessidades periféricas.

"Segurança pública para nós da geografia nada mais é do que o direito ao território. Não há como assegurar existências sem território." — Dra. Carin Carrer    

 

sábado, 25 de julho de 2026

Diálogo: Há Novas Perspectivas para uma Nova Política de Segurança?

 

André Luiz dos Santos

O Brasil vive um paradoxo. Desde a década de 1990, o país ampliou significativamente seu sistema penal, endureceu legislações criminais e expandiu o encarceramento em massa. Nesse período, a população prisional passou de aproximadamente 90 mil para mais de 880 mil pessoas, tornando o Brasil uma das maiores populações carcerárias do mundo. Paralelamente, o país registrou centenas de milhares de homicídios, atingindo seu ápice em 2017, com mais de 65 mil mortes violentas em um único ano. Embora os indicadores tenham apresentado redução recente, a violência letal, a letalidade policial, o crime organizado e as profundas desigualdades sociais continuam impondo enormes desafios à democracia brasileira.

Diante desse cenário, a pergunta que mobiliza este encontro é inevitável: há novas perspectivas para uma política de segurança pública que priorize a proteção da vida, os direitos humanos e a justiça social?

Com o propósito de promover um debate qualificado e plural, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) sediará o encontro "Diálogo: Há Novas Perspectivas para uma Nova Política de Segurança?", reunindo especialistas, pesquisadores, representantes dos movimentos sociais e defensores dos direitos humanos para refletir sobre os limites do atual modelo de segurança pública e apresentar alternativas fundamentadas na Constituição, na ciência e na participação popular.

A mediação será conduzida pelo ativista de direitos humanos Rapper Pirata, reconhecido por sua atuação junto aos movimentos populares e à cultura Hip Hop.

O debate contará com a participação do Desembargador Alfredo Attié, magistrado e jurista com ampla produção sobre democracia, direitos fundamentais e acesso à justiça; da geógrafa e doutoranda da Universidade de São Paulo (USP), Carin Carrer, pesquisadora das dinâmicas territoriais, desigualdades urbanas e políticas públicas; e do sociólogo, doutor e ativista de direitos humanos Djalma Goes, referência nacional na defesa dos direitos humanos, das relações raciais e da participação cidadã.

A iniciativa é promovida pelo Fórum Hip Hop MSP, organização que há décadas atua na construção de políticas públicas para as periferias, utilizando a cultura Hip Hop como instrumento de cidadania, educação e transformação social. O Fórum reafirma, por meio deste encontro, seu compromisso com o fortalecimento do diálogo democrático entre sociedade civil, academia, sistema de justiça e instituições públicas.

Mais do que discutir estatísticas, o evento propõe refletir sobre quais políticas podem reduzir a violência sem abrir mão dos direitos fundamentais, enfrentando as desigualdades estruturais que historicamente afetam as periferias brasileiras.

Porque segurança pública não se constrói apenas com repressão. Constrói-se com democracia, direitos humanos, participação popular e justiça social.

Data:04 de agosto

18h às 22h

Local: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP

Realização: Fórum Hip Hop MSP e ACAT BRASIL

Contato: 11 982162160 (whats)

"Menos violência. Mais direitos. Mais justiça social e democracia."



domingo, 21 de junho de 2026

A Realidade Por Trás da Batida: O Dossiê do Hip Hop em São Paulo (2024-2026)

A Realidade Por Trás da Batida: O Dossiê do Hip Hop em São Paulo (2024-2026)

Análise Técnica: Relatório do Fórum Hip Hop MSP revela falhas estruturais, orçamento invisível e 0% de execução financeira no 1º trimestre de 2026 para os programas da cultura periférica na capital paulista.

Sumário Executivo: O que está acontecendo?

A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMC) possui quatro pilares oficiais para o Hip Hop: Mês Hip Hop, Território Hip Hop, Casas de Hip Hop e o Núcleo Hip Hop. Mas o que acontece na prática?

"Dotações modestas, baixíssimos percentuais de execução financeira ao longo dos anos e, segundo dados de 2026, uma paralisação total (0% de pagamento) dos programas de Hip Hop, enquanto teatros e grandes eventos rodam normalmente."

Um dado alarmante é que as Casas de Hip Hop sequer existem como rubrica no orçamento. E o Núcleo Hip Hop atua de forma invisível, sem dotação própria, dificultando o rastreamento do dinheiro público. Pior: descobriu-se que a lei citada pelo movimento como base da política (Lei 17.719/2021) é, na verdade, uma lei tributária sobre ISS. Falta marco legal real!

Raio-X dos 4 Programas

Vamos entender como cada programa está (ou não está) funcionando no orçamento municipal:

0% Executado em 2026

1. Mês Hip Hop

O mais visível. Em 2025, teve R$ 3,42 milhões previstos na LOA, mas o edital anunciou R$ 3,93 milhões. Divergência sem explicação. Em 2026, segundo petição do Fórum Hip Hop MSP, registrou 0% de pagamento.

Vagas Opaque

2. Território Hip Hop

Programa de formação com polos regionais. Em 2025, teve R$ 1,06 milhão previsto. Chama atenção o fato de divulgar vagas remanescentes pelo Instagram, sem processo seletivo formal, o que fere a isonomia.

Programa Fantasma

3. Casas de Hip Hop

O caso mais crítico. Não há um centavo reservado em nenhum ano analisado (2024-2026). Continua sendo apenas uma reivindicação da sociedade civil. Não passou do papel.

Sem Verba Própria

4. Núcleo Hip Hop

É a equipe dentro da prefeitura que cuida dos editais. Mas não tem rubrica orçamentária. Seus custos (pessoal, gestão) estão diluídos na máquina administrativa. Impossível saber quanto custa.

Os Números Não Mentem

Entre 2021 e 2025, a história se repete: o dinheiro é prometido, mas não chega à comunidade. Veja a execução acumulada:

Previsto na Lei (LOA) R$ 34,63 Milhões
100%
Empenhado (Reservado) R$ 21,20 Milhões
61,2%
Pago (Executado de Fato) R$ 18,28 Milhões
52,8%

Para colocar em perspectiva: os cerca de R$ 4,48 milhões destinados ao Hip Hop em 2025 representam apenas 0,6% dos cerca de R$ 700 milhões do orçamento total da cultura no município. Uma gota no oceano para um movimento que define a periferia paulistana.

O Choque de 2026: Paralisação Total

🚨 Dados extraídos em 28/03/2026:

Enquanto Fundações, Teatros e grandes eventos (como estruturas no Autódromo) tiveram execução entre 20% e 50% no primeiro trimestre, os programas nomeados "Hip Hop" e demais culturas periféricas tiveram um percentual assustador:

  • Programas Hip Hop (Mês, Território, Casas, Núcleo): R$ 4,75 Milhões previstos / R$ 0,00 pagos (0%)
  • Demais cultura periférica: R$ 25 Milhões previstos / R$ 0,00 pagos (0%)

Isso configura possível violação ao princípio da eficiência e ao dever constitucional de implementação de políticas culturais.

O Imbróglio das Leis

Existem três Projetos de Lei (PL 560/2022, PL 289/2023 e PL 1169/2025) parados na Câmara Municipal tentando regulamentar o setor. A falta de um "Marco Legal" único faz com que a política fique à mercê de decisões discricionárias ano a ano. Se não há lei que obrigue a ter dinheiro, a prefeitura simplesmente não coloca o dinheiro.

Como Resolver isso? (Recomendações)

  • Transparência Real: Publicação por exercício de previsão, empenho e pagamento para os 4 programas, com códigos acessíveis no Portal da Transparência.
  • Esclarecimento Legal: Resposta formal à Câmara sobre qual é a base normativa vigente da Política de Hip Hop, aprovando um Marco Legal único.
  • Orçamento para as Casas: Criar rubrica plurienal específica para implantar as Casas de Hip Hop, território por território.
  • Auditoria no TCM: Que o Tribunal de Contas do Município audite o 1º trimestre de 2026 para explicar os 0% de execução.

Conclusão

É incompatível reconhecer o Hip Hop como patrimônio cultural imaterial do Estado (Lei estadual 498/2021) e, ao mesmo tempo, mantê-lo sem dotação orçamentária ou com execução nula na cidade de São Paulo. A batida parou no papel, mas a cobrança por execução continua nas ruas.

Fontes: TCM-SP (Portal IRIS), Portal da Transparência, Diário Oficial, Prefeitura de SP, Fórum Hip Hop MSP.

Documento elaborado pelo Fórum Hip Hop MSP | Contato: 11 982162160 (Rapper Pirata) | forumhiphopmsp.com.br

domingo, 14 de junho de 2026

Dossie Política de Hip Hop na cidade de São Paulo

Análise Crítica da Política Municipal de Hip Hop em São Paulo (2024–2026)
Relatório técnico sobre a execução orçamentária dos programas culturais de Hip Hop em São Paulo, destacando desafios, legislação e transparência entre 2024 e 2026.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Solicitação apresentada a Comissão de Finanças da Camara de SP- Relatoria - LDO 2027

 

A Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo



Fórum Hip Hop MSP e Fórum da Capoeira MSP



São Paulo, 02 de junho de 2026



A Vossa Excelência, Relator da Câmara Municipal de São Paulo, uma análise técnica sobre as incoerências jurídicas do Projeto de Lei (PL) 299/2026 (LDO 2027), seguida de uma proposta de emenda articulada para a salvaguarda e fomento da Cultura Hip Hop, Capoeira e das expressões da cultura negra no município.

1. Incoerências Jurídicas e Fiscais no Planejamento do Orçamento

Após análise dos Anexos de Metas e Riscos Fiscais do PL 299/2026, identificam-se as seguintes fragilidades:

  • Déficit de Participação Popular Direta (Art. 1º, § 1º da LRF e Art. 215 da CF/88): Embora o documento cite a transparência e a fundamentação nos objetivos "escolhidos pela sociedade", a LDO foca excessivamente em parcerias público-privadas (PPPs) e concessões para a "ativação sociocultural" (ex: Vale do Anhangabaú e Polos Gastronômicos). Isso gera uma incoerência: delega-se a execução cultural ao ente privado sem garantir, no texto da lei, os mecanismos de escuta e deliberação das comunidades periféricas, o que afronta o dever do Estado de garantir o pleno exercício dos direitos culturais [Art. 215, CF/88].

  • Priorização de Desonerações Seletivas em Detrimento do Fomento Direto: O Anexo de Metas Fiscais detalha vultosas renúncias de receita (ISS) para setores como o cinematográfico. No entanto, não há uma diretriz equânime que preveja incentivos fiscais ou fundos robustos especificamente destinados às culturas de matriz africana, capoeira, peroferia e movimento hip hop , criando uma disparidade no tratamento de diferentes segmentos culturais.

  • Risco de Retrocesso Social por Contingenciamento: A LDO estabelece um rigoroso "colchão de liquidez" e medidas de eficiência para mitigar riscos fiscais. Sem uma cláusula de barreira que proteja os fomentos culturais, a área da cultura torna-se o alvo primário de cortes, violando o princípio constitucional da vedação ao retrocesso social em direitos fundamentais

2. Proposta de Artigo para a LDO 2027


Art. XX – As diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2027 deverão assegurar a consolidação e ampliação das políticas públicas destinadas ao Movimento Hip Hop, à Capoeira e às expressões culturais negras, em observância aos arts. 215 e 216 da Constituição Federal, mediante as seguintes ações:

  • I – Garantia de dotação orçamentária específica para o Mês do Hip Hop, Fomento a Capoeira, na assegurando a participação popular direta na curadoria e governança do evento;

  • II – Destinação de recursos para a manutenção, reforma e expansão das Casas de Hip Hop, integrando-as à rede municipal de equipamentos culturais;

  • III – Implementação de programas interdisciplinares de Hip Hop nas Escolas . Capoeira nas Escolas municipais, visando o combate à evasão escolar e o fortalecimento da identidade cultural e racial;

  • IV – Reconhecimento e Fomento do Breaking como modalidade esportiva e cultural, com apoio a competições e centros de treinamento;

  • V – Institucionalização de circuitos de Slam (Poesia Falada) em todas as Casas de Cultura e Centros Culturais da periferia;

  • VI – Valorização e reajuste inflacionário anual dos repasses destinados aos Fomentos da Capoeira, de Culturas Negras e do Hip Hop, vedando o contingenciamento dessas verbas.



3. Justificação Técnica e Constitucional

A. Fundamentação Constitucional: A proposta fundamenta-se no Art. 215 da CF/88, que impõe ao Estado o dever de proteger as expressões das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras. O Hip Hop, em suas diversas vertentes (DJ, Graffiti, Breaking e MC), e a Capoeira são patrimônios imateriais que constituem a identidade paulistana [Art. 216, CF/88].

B. Fundamentação Técnica e Fiscais: As fontes documentais da própria Prefeitura indicam que o dimensionamento das despesas deve refletir os "objetivos políticos escolhidos pela sociedade". Ao formalizar estes itens na LDO, o Legislativo corrige a omissão do Executivo, transformando demandas sociais em metas e prioridades vinculantes.

Além disso, a valorização dos fomentos periféricos atua como medida de mitigação de riscos sociais, reduzindo gastos futuros com segurança e assistência, conforme a lógica de eficiência defendida na exposição de motivos do Anexo de Riscos Fiscais. A garantia de não-contingenciamento é o único meio jurídico de impedir que o "equilíbrio fiscal" anule o direito fundamental à cultura na periferia.

Conclusão: A inclusão destes dispositivos garante que o orçamento de 2027 não seja meramente uma peça de gestão financeira, mas um instrumento de justiça fiscal e reparação histórica para a população negra e urbana de São Paulo.



Fórum Hip Hop MSP - Contato: Rapper Pirata - 982162160

Fórum da Capoeira MSP – Contato: 979743293



forumhiphopmsp.com.br




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