Debate Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), a geógrafa e doutora pela USP Carin Carrer contesta o conceito tradicional de segurança pública focado na repressão e propõe uma abordagem baseada no Direito ao Território, inspirada na geografia crítica de Milton Santos e Neil Smith.
Os Principais Pontos da Exposição
Segurança como Direito ao Território: Para a geografia crítica, segurança não se reduz ao policiamento ostensivo, mas sim à garantia do direito de existir e acessar os recursos do território com dignidade, sem a constante suspeição estatal.
A Pena Transformada em Logística: A palestrante destaca a interiorização do sistema penitenciário paulista, localizado a mais de 700 km da capital (como no Oeste Paulista, em Presidente Prudente). Esse modelo consome parcelas expressivas do orçamento em transporte, combustíveis e manutenção de frotas em vez de investimentos na Defensoria Pública ou na garantia de direitos.
Geografia da Execução Penal: O isolamento dos estabelecimentos penais afasta os custodiados de suas famílias e da assistência jurídica, servindo à manutenção da ordem de produção econômica e do controle populacional, em vez de focar na reintegração ou na liberdade.
Mobilização Territorial e Diálogo Circular: A proposta central defende o mapeamento de gargalos locais por meio de escutas comunitárias — em bairros, universidades, sindicatos e coletivos — para formular políticas públicas de segurança com participação popular e orçamento direcionado às reais necessidades periféricas.
"Segurança pública para nós da geografia nada mais é do que o direito ao território. Não há como assegurar existências sem território." — Dra. Carin Carrer
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