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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Discurso da escassez e o esvaziamento da política cultural


RAPPER PIRATA

Há anos, a Prefeitura de São Paulo sustenta o discurso de que não há recursos suficientes para investir em políticas públicas, especialmente na área da cultura. Esse argumento, repetido de forma sistemática, tem servido como justificativa para a limitação de ações estruturantes e para o enfraquecimento de iniciativas voltadas à promoção da cidadania.

No entanto, os dados demonstram que essa narrativa não corresponde à realidade.

Desde 2008, a prefeitura afirma não alcançar suas metas de arrecadação.

Ainda assim, em 2025, o município registrou um recorde histórico, com arrecadação de *R$ 123.451.799.491,00* .

O problema, portanto, não parece ser a ausência de recursos, mas a falta de transparência sobre o destino desse montante e as prioridades estabelecidas na gestão pública.

Nesse cenário, torna-se urgente a construção de estratégias coletivas e uma compreensão mais profunda da política cultural da cidade. A cultura, enquanto política pública, não pode ser reduzida a discursos que, na prática, se encerram em negócios voltados exclusivamente à indústria cultural. Seu papel central é a promoção da cidadania, o fortalecimento dos territórios e o reconhecimento das expressões culturais que emergem do cotidiano da população.

O discurso da “falta de dinheiro” acabou naturalizando a concentração de recursos em determinados setores, enquanto a estrutura de uma política cultural ampla, democrática e permanente foi sendo paralisada. Trata-se de um processo já vivido e que, novamente, começa a se repetir.

A experiência acumulada ao longo dos anos permite reconhecer esse padrão. Culturalmente, a vivência cotidiana nos oferece elementos suficientes para compreender os impactos dessas escolhas. É preciso, portanto, estar alguns passos à frente, antecipando cenários e reagindo de forma organizada.

Afinal, transformar a cidade em um grande espaço de consumo cultural uma espécie de “Times Square” significa esvaziar seu sentido público, diverso e cidadão. E, quando isso acontece, já é tarde demais.

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