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terça-feira, 17 de maio de 2016

SOBRE O PT E O CHAMADO “GOLPE”.
SOBRE O CHAMADO “GOLPE”
“O PT se enforcou na própria corda. Tão frágil que foi derrotado por mecanismos institucionais, político e jurídico, nem de golpe militar precisou.”
No dia 11 de setembro de 1973 no Chile Salvador Allende sofre um golpe dos militares apoiados pelos Estados Unidos, foi um governo eleito como manda a cartilha da democracia, tinha amplo apoio popular e se intitulava de socialista.
Como bem dizia Allende, queria formar um governo socialista utilizando das vias eleitorais burguesas. Com base nos ensinamentos marxistas, é fato que a construção do socialismo passa por outras vias, principalmente o processo revolucionário é uma etapa decisiva para dar esse passo, pela via eleitoral soa como um tanto utópico.
De todo modo Allende começa a implementar medidas que vão contra os interesses das elites, realiza a reforma agrária, reforma constitucional onde uma das principais mudanças mexeria na riqueza vinda do subsolo do país passando a ser propriedade do estado, algumas medidas vem na linha de elevar o nível de vida da classe trabalhadora.
Nem precisamos dizer que todas as medidas de Allende desagradou os Estados Unidos e também os capitalistas Chilenos que começaram a sabotar o governo com a intenção de gerar crises paralisando a produção. Conclusão: os setores reacionários articulados com os estados unidos aos poucos foram criando condições para dar um golpe militar e tirar Allende do governo Chileno, após muitas batalhas travadas o setor reacionário sai vencedor e Allende é assassinado, os movimentos de esquerda por não se armarem para levar a frente à revolução foram massacrados pelos militares que estavam ao lado dos conservadores e que também foram apoiado pelos Estados Unidos.
O que isso tem haver com o Brasil algumas décadas depois?
Primeiramente a que se fazer algumas ponderações quando falamos em golpe por aqui neste atual contexto, cabe ressaltar que a proposta do governo petista desde então não arranhou nenhum pilar dos privilégios das elites. Posto isso, podemos perceber que desde a eleição do Lula praticamente o PT optou por fazer alianças com os setores mais atrasados e reacionários do cenário político brasileiro, desde Sarney, ACM, Maluf e demais anomalias como grupos empresariais historicamente contra a classe trabalhadora. A partir daí já podemos visualizar várias fragilidades do governo petista, a manutenção do loteamento de cargos estratégicos como moeda de troca, uma tímida política voltada para os setores mais pobres e a manutenção dos privilégios de uma elite que quer cada vez mais tirar do trabalhador.
Não houve uma política mais aguda contra os interesses dos capitalistas como esboçava Allende, ou mesmo comparando com a Venezuela que vem de outro processo político, o governo do PT sempre ficou atrás em termos de políticas sociais. Por fazer parte do esquema político das elites jamais o governo do PT sofreria o clássico golpe militar, por mais que alguns setores da sociedade chegasse a alarmar de forma equivocada, isto sempre esteve fora de cogitação, isso mostra a fraqueza do partido, tão frágil que foi derrotado por mecanismos institucionais, político e jurídico. De certo modo se enforcou na própria corda, aquelas alianças em nome da governabilidade, aqueles que foram chamados para integrar o governo, essa base foi a que mais levantou a bandeira do impeachment.
Dilma é que menos tem culpa neste episódio, mas os culpados pela trilha seguida pelo PT são os nomes forte do partido que escolheram fazer as alianças e que levou o partido ao lixo que é hoje, nomes como Dirceu, Genoíno, Palocci e mais alguns, esses conseguiram acabar com um instrumento que em sua origem era referência para a classe trabalhadora.
O Impeachment encerra um ciclo melancólico no plano simbólico, sobretudo para a classe trabalhadora que já um bom tempo é órfã de um partido que o represente de fato seus interesses, em termos históricos pra se chegar novamente num acúmulo de forças que possa resultar numa resistência mais incisiva me parece tão longínquo , a não ser que um evento excepcional aconteça, algo que não estamos esperando, ou que de certa forma não estava colocado como perspectiva, já que a história é dinâmica e não previsível, mas os dados concretos que temos mostra que não teremos bons tempos em relação a nossa luta.
A palavra REACIONÁRIO nunca fez tanto sentido como nos dias atuais, o que teremos de agora em diante é a consolidação dos ataques aos direitos trabalhistas que começou ainda na era FHC e que de forma paulatina vem sendo realizada, é sabido que a burguesia quer acelerar esse processo, ou seja, quebrar totalmente o pouco de direitos que a CLT nos garante, privatizar de forma mais acelerada o patrimônio do país que ainda resta, cortar gastos com programas sociais, mexer no que resta da previdência social, terceirizar de forma mais aguda o serviço público acabando de vez com o funcionalismo público, e junto a isso leis mais rígidas de repressão.
Na perspectiva da nossa luta, da classe trabalhadora, dos setores oprimidos, o que temos é um vácuo, um “futuro cada vez mais ausente”, uma derrota que vem se arrastando desde a transição para a democracia e que se acentua cada vez mais.

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