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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Integra do premio SABOTAGE 2018 - Camara Municipal 20 de Março de 2018 - 19h ás 22h.

GABINETE DO PRESIDENTE CÂMARA MUNICIPAL

SECRETARIA GERAL PARLAMENTAR

SECRETARIA DE REGISTRO PARLAMENTAR E REVISÃO - SGP-4

120a SESSÃO SOLENE

20/03/2018

O SR. PRESIDENTE (Soninha Francine - PPS) - Boa noite. Este é um momento exclusivamente protocolar, é uma formalidade.

Todas as vezes que presido uma sessão solene, fico na dúvida se sigo exatamente o roteiro ou se faço algo mais condizente com o contexto e as circunstâncias.

Vou manter o roteiro porque, afinal de contas, esta é uma sessão solene, com toda solenidade de direito. Costumo alterar, de todo jeito, uma das frases desta abertura e espero que ninguém me entenda mal.

Regimentalmente, a gente diz: "Sob a proteção de Deus". As pessoas podem chamar Deus por muitos nomes diferentes ou se referir ao sagrado de muitas maneiras diferentes.

Quanto houve a entrega das homenagens pelo Dia Internacional da Mulher, troquei essa frase e, em vez de "Deus", me referi a "tudo mais sagrado". Assim como algumas pessoas se sentem incomodadas com a referência "Sob a proteção de Deus", outras se sentiram incomodadas com a troca do nome de Deus por outra referência. Eu vou fazer uma combinação das duas.

Então, seguindo aqui o protocolo de uma sessão solene: Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e de tudo o que é sagrado, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão solene destina-se à entrega do Prêmio Sabotage, instituído pela Resolução n° 02, de 11 de dezembro de 2008, destinado às personalidades de destaque no cenário do Hip Hop no Município de São Paulo, de autoria desta Vereadora e que contou com a aprovação unânime dos Srs. Vereadores desta Casa.

Passo a palavra ao Mestre de Cerimônias, Sr. Antonio Carlos Vieira Jr., para dar início aos trabalhos.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Senhoras, senhores, autoridades, sejam bem-vindos à Câmara Municipal de São Paulo.

O Prêmio Sabotage foi instituído em homenagem ao ra-pper Sabotage, nascido Mauro Mateus dos Santos, em São Paulo, no dia 3 de abril de 1973. Cantor, compositor e ator, encontrou no rap a saída do mundo do crime. Na música, encontrou seu verdadeiro dom, inspirando outros rappers. Como ator, atuou nos filmes O Invasor e Carandiru. Recebeu vários prêmios de rap. Morreu em São Paulo, no dia 24 de janeiro de 2003, com quatro tiros.

O objetivo do Prêmio é reconhecer personalidades do cenário Hip Hop, por seu trabalho e atuação para o crescimento desse gênero artístico no Município de São Paulo.

Para apresentar a solenidade do Prêmio, convidamos o rapper Pirata.

- O Sr. André Luiz dos Santos, Rapper Pirata, assume a condução dos trabalhos, como Mestre de Cerimônias.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Boa noite.

A primeira coisa que eu peço é para todo mundo fazer barulho, porque: quanto tempo a gente vai ficar falando de genocídio neste país? Quantas pessoas vão representar a morte? Nós temos que evitar isso, então façam barulho contra o genocídio na cidade de São Paulo.

- Manifestação do público.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - E aí a gente só quer reforçar que a luta do Hip Hop seriamente é contra o racismo institucional. E aí, ao estar nesses espaços institucionais, a gente não pode provocar o racismo também, ser racista também. Não tem nada a ver o racismo com o Hip Hop.

Quero chamar agora, para compor a Mesa: Tamires Rocha, filha do Sabotage - fazendo bastante barulho, porque o importante é a representatividade -, lembrando que ela já é uma nova MC no cenário, então temos de valorizar a personagem; Wan-derson Rocha, a zica do momento, filho do Sabotage; Clayton Igidio da Rocha - CBDance29; zica do momento, Cleber Cesar Santos - DJ Cleber; Luís Carlos de Matos Lorena - Pepeu; Luiz Fernando Lacerda da Silva - Luiz Fernando Produção; zica do momento, Osmir Pereira Belo - Mano Osmir. (Palmas)

Vou quebrando o protocolo, porque tem algumas coisas que é preciso reforçar. Não há interferência nenhuma do Movimento dentro da Câmara Municipal; ao contrário, há parceria com a sociedade civil para acontecer o Prêmio Sabotage. O Fórum de Hip Hop não tem vínculo partidário com ninguém. Hoje, vocês vão entender que não tem nada a ver o MBL com o Prêmio Sabotage, a parada é da Cidade, é do Movimento, precisamos aprender a respeitar isso.

Convidamos todos para, de pé, ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro.

- Execução do Hino Nacional Brasileiro.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Queremos agradecer primeiramente a todos aqui, mas ao Movimento Hip Hop, porque o Prêmio Sabotage é uma chance de a periferia ocupar essas mesas e essas cadeiras. Em poucos momentos acontece isso, daí a importância do Prêmio. O Hip Hop consegue fazer essa representação. Esse valor precisa ser compreendido pelo Movimento. Por quê o Prêmio Sabotage? Eu sei que há uma discussão, de que deve sair da Câmara. Prêmio fora da Câmara é privado. Isso aqui é da Cidade. Respeitar o Sabotage daqui a 100 mil anos é respeitar dentro da Câmara. Certo?

Quero agradecer a presença dos Srs.: Márcio Santos, Assessor de Projetos do Hip Hop, pela Secretaria do Estado, na área da Cultura; Adriana Palheta, Coordenadora da Juventude, representando a Sra. Eloísa Arruda, Secretária Municipal de Direitos Humanos; Yuri Lorenzetti, assessor particular; José Luiz de França Penna, Secretário de Estado da Cultura; Valdir Moura dos Santos, do Quilombo Guaianases, Conselheiro Participativo da Prefeitura Regional. (Palmas)

Também quero agradecer a alguns Vereadores que colocam o orçamento da cidade de São Paulo para o Hip Hop, que precisa de investimento. Está aqui o Vereador Isac Felix. (Palmas)

Registramos e agradecemos as mensagens enviadas de diversas pessoas do Poder Executivo do Estado de São Paulo; também recebemos mensagens de secretários etc. do Município, agradecemos ao Poder Executivo do Município; assim como a todos os Vereadores da Câmara Municipal, que também mandaram mensagens em favor do Prêmio Sabotage.

Assistiremos agora a um vídeo feito pela Família Sabotage.

- Apresentação audiovisual.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - A Câmara Municipal de São Paulo agradece o empenho e a dedicação da Comissão Julgadora na indicação dos homenageados.

A Comissão Julgadora do Prêmio Sabotage é composta por cinco representantes da cultura Hip Hop do Município.

Ouviremos a saudação da filha do Sabotage, Tamires.

A SRA. TAMIRES ROCHA - Boa noite novamente a todos que estão presentes neste encontro. Acreditamos que o objetivo deste prêmio seja promover a Cultura dentro do Movimento do Hip Hop.

Ficamos honrados de este movimento levar o nome do nosso pai. E para 2019 a Banca se comprometeu a desenvolver novas ferramentas e plataformas de inclusão.

Optamos por passar esse filme, pois ele mostra que, mesmo depois de 15 anos de sua morte, Sabotage está mais vivo do que nunca.

Eu, Tamires, junto do meu irmão, Sabotinha, assumimos o legado do nosso pai há quase quatro anos. Regularizamos a obra, direitos autorais, execução fonográfica, até podermos desenvolver a continuidade dos trabalhos com nossas mãos.

Conseguimos lançar o disco póstumo, reproduzir novos remix com novos produtores, abrimos a loja on-line e constantemente estamos interagindo com novas plataformas musicais e tecnologias. Encontramos a obra de um favelado - é assim que a sociedade vê o pessoal da periferia -, a tecnologia artificial gera no mínimo esperança a cada um de nós.

E por falar em esperança quero lembrar que toda música, voz, todas lutas são eternas. A informação transforma. Recentemente perdemos uma das grandes vozes da nossa geração, Marielle, e como mulher, ser humano, não posso deixar de registrar, ela foi assassinada como o meu pai. Vítima de uma violência sociocultural que deve acabar.

Peço um minuto de silêncio em respeito a essa grande guerreira. Marielle, presente!

- Minuto de silêncio.

A SRA. TAMIRES ROCHA - Muito obrigada. (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Convidamos Luís Carlos de Matos Lorena, o Pepeu, que falará em nome da Comissão Julgadora do prêmio Sabotage.

O SR. LUÍS CARLOS DE MATOS LORENA - Boa noite a todos. Só para os do Hip Hop, boa noite. (Pausa) Então tem bastante gente do Hip Hop aqui, maravilha.

Não conhecia o Prêmio. Tomei conhecimento dele em meados de 2016, mesmo porque muitas coisas do Hip Hop não tenho muito conhecimento. O Hip Hop é uma força, uma potência, uma máquina, mas precisa se organizar mais para que a coisa flua cada vez melhor.

Em nome da Comissão gostaria de dizer o seguinte: a Comissão foi composta por cinco elementos, incluindo a minha pessoa. Estou um pouco perdido porque nunca participei desse trabalho de julgar as pessoas, acho muito difícil, porque talento tem de monte. Então se hoje julgo aqui e escolho dez pessoas que acho serem os melhores do Hip Hop, não importa a categoria, se me tirarem e colocarem outra pessoa para julgar, essa pessoa vai encontrar mais dez que não são aqueles que eu encontrei.

Então me encontro numa situação extremamente difícil. Ou me encontrei desde o início, porque vimos muito trabalho, muita coisa boa, muita gente de talento. Também muita gente que estava perdida e mandava cada coisa que não dava para entender, mas muita gente de talento.

A Comissão levou em consideração os critérios de repre-sentatividade dentro do Hip Hop. Quem é a pessoa, o que faz, o que fez, se representou alguma coisa. Dentro da minha visão, julguei isso. Não levei amigos, mas julguei o que foi feito, qual foi o trabalho, se a pessoa representou alguma coisa do Hip Hop, independente de ser meu amigo ou não, ser conhecido ou ter trabalhado comigo.

Estou muito honrado, muito contente, pretendo continuar trabalhando pelo Hip Hop, embora tenha ficado de férias por alguns vinte anos. Estou voltando devagarzinho, auxiliando os nossos amigos aí, e no que o Hip Hop depender de Pepeu, estamos aí para isso. Por isso que eu digo, temos que nos organizar.

Soninha, gostaria de dizer uma coisa muito importante, quando começamos com o Hip Hop aqui em São Paulo, na 24 de Maio, a gente cantava, dançava, corria os bonés; recolhía-

mos moedas, comprávamos pilhas, comprávamos nossos boxes, bonés, roupas, talco, lanche, comprávamos tudo. Não dependíamos de ninguém.

E o Hip Hop foi crescendo. Hoje é uma potência. O Hip Hop não sabe a potência que tem, porque o dia que entender o Hip Hop não depende de ninguém, da sua produção, do seu grafite, da sua dança, da sua letra, da sua música.

Na verdade hoje a gente pede para os órgãos públicos. Hoje eu vejo o Hip Hop se rastejando dentro de órgãos públicos, pedindo um espaço. Só que o Hip Hop é muito forte. Hip Hop é Brasil. Hip Hop não depende de política. Hip Hop é muito mais do que política. O Hip Hop quer ajuda da política para seguir. Hip Hop não depende da política para viver, porque Hip Hop começou no Brasil sem depender de ninguém.

A gente dançava, pedia moeda para quem pudesse colaborar e a gente ganhava muito dinheiro e dividia no final. A gente pagava todos os custos da dança na rua, o transporte de todo mundo e voltava para casa. Fomos crescendo e aí alguém - não sei quem, não estou pondo nome - viu o filho crescendo, ficando bonito e forte, adotou e começou a dar migalhas para ele.

Hip Hop não precisa disso. Não estou jogando para órgão nenhum, mas estou falando uma verdade.

Muito obrigado. (Palmas)

A SRA. PRESIDENTE (Soninha Francine - PPS) - Pergunto aos outros dois colegas de Mesa se querem dar uma palavra.

O SR. OSMIR PEREIRA BELO - Gostaria de cumprimentar a nossa Soninha e, em nome da Soninha, cumprimentar todos da Mesa, todos vocês, boa noite, dizer que foi maravilhoso participar deste evento, de ouvir música por música.

Também tenho vontade neste momento de, onde quer que ele estiver, agradecer ao Sabotage. Acho que ele permitiu, porque isso aqui vai ficar para sempre na minha vida. Agradecer também ao Pirata; ao nosso Izzy DJ, que conheço desde criança, hoje é do Núcleo do Hip Hop de São Paulo; também o Márcio do Hip Hop do Estado de São Paulo; Alan, desde pequenininho também, e todos aqui.

Muito obrigado. (Palmas)

O SR. CLAYTON IGIDIO DA ROCHA - Primeiramente boa noite, galera, salve. Sou o Clayton, para quem não me conhece. Fui responsável por avaliar o critério dança, b-boy e b-girl. Tenho uma equipe de dança. Trabalho com dança atualmente.

Tenho uma coisa só para falar para vocês, hoje vou definir aqui como movimento, essa é a palavra. O que significa movimento? Movimentar algo. E estamos movimentando algo aqui hoje. Movimento Hip Hop, cultura Hip Hop, assim como já faz 15 anos e Sabotage está eternizado em nós, permitindo que isso esteja acontecendo hoje em nome dele, em nome dos filhos, da família. Vamos lembrar também do preconceito, que não combina com Hip Hop. E uma frase que ele dizia nas letras, acho que todo mundo conhece, respeito é pra...

- Manifestação na plateia: "quem tem".

O SR. CLAYTON IGIDIO DA ROCHA - É isso aí galera. Vamos respeitar, porque nós temos respeito dentro da periferia. Temos o nosso respeito como pessoa. Temos o nosso respeito no nosso trabalho. Ou seja, na nossa cultura.

É isso aí. (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Só para dado de informação, esta Câmara Municipal gasta diariamente um milhão, trezentos e oitenta e nove mil, funcionários, etc. Este evento hoje está movimentando um milhão, trezentos e oitenta e nove. Entendam o poder que está aqui. Com quem estamos dialogando e o tamanho a que chegou o Hip Hop.

Vamos lá. A Comissão Julgadora do Prêmio Sabotage, obedecendo ao que dispõe a Resolução n° 2/2008, regulamentada pelos Atos 1.282 e 1.288/2014, e o regulamento aprovado pela Comissão Permanente Extraordinária dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude, recebeu 51 inscrições nas quatro categorias do Prêmio. Entre estas inscrições, a Comissão Julgadora escolheu três indicados para cada categoria.

Na categoria I, Melhor Disc Jockey (DJ): DJ Hélio Branco (Hélio Barrachino Jr.), DJ Zipper (Emerson Miguel Rossi Gonçalves) e DJ Leona (Michelle Russo Dorotheia). (Palmas)

Na categoria II, Melhor Mestre de Cerimônia (MC): Sabrina Systa (Sabrina Afonso de Paula), Souto MC (Caroline Souto de Oliveira) e MCADOCTORS (Claudio dos Anjos). (Palmas)

Na categoria III, Melhor Grafiteiro: LA-Shesko & Sirius (Leandro Szyszko Gava e Andressa Sirius), Shock Maravilha (Elton Luis Salles de Carvalho) e Dinas Miguel (Ednei Miguel). (Palmas)

Na categoria IV, Melhor Dançarino: Chileno (José Carlos Barroso), Funk Fockers e Bgirl Miwa (Vivien Miwa Kozuma). (Palmas)

Homenagearemos os vencedores. Convidamos todos os membros da Mesa principal a se colocarem à frente, para a entrega dos prêmios.

A Comissão Extraordinária Permanente de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude, igualmente atendendo ao contido na referida legislação, decidiu homenagear, neste ano, as seguintes personalidades do movimento Hip Hop:

Na categoria I, Melhor DJ, a homenageada nesta sessão solene se mostra autodidata desde 1994, iniciando estudos em teoria musical, cordas e teclas. Por dez anos, esteve envolvida em projetos com bandas de blues e rock, tendo como referência R&B, funk, soul, jazz, brazilian groove, classic house e os anos 80. Amante de soul music, reencontra-se com a música em 2009 e atua, desde então, como DJ em São Paulo. Seu trabalho foi solicitado em eventos, casas noturnas, projetos, websites, web rádio e em importantes lugares, como: Mada-me Underground Club, Bar Bhrama, Canal DJ, Hotel Prince To-wer, além de participar de eventos corporativos, remakes e do Korean Women's International Network. Há um ano, DJ Leona atua também como empresária da parte comercial de uma loja de vinil e de acessórios.

Parabéns, DJ Leona, venha receber seu prêmio.

- Entrega do prêmio à Sra. Michelle Russo Dorotheia, DJ Leona, sob aplausos.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - DJ Leona, pode vir ao microfone e dizer o que esse prêmio representa pra você?

A SRA. DJ LEONA - Boa noite a todos. Muito difícil, em poucos segundo, dizer o que este prêmio representa para mim. O que posso lhes dizer é que realmente estou muito feliz porque o Hip Hop me abraçou, eu abracei o Hip Hop por causa da identidade, da verdade, por tudo o que ele significa. Mas realmente é inexplicável.

Acredito que quanto mais pessoas - os antigos, os novos -, quanto mais pudermos motivar essa grande potência, será muito importante, será muito bom para todos nós, porque nós somos arte, cultura, esperança e educação. Acho que isso é fruto da união. Vamos em frente!

Muito obrigada a todos os amigos pelo apoio. (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Se tivesse beat, eu teria condições de apresentar isso rimando, mas vamos lá.

Nascida em São Paulo, criada em Itaquaquecetuba, onde teve o primeiro contato com a cultura Hip Hop e nunca mais parou. Sua primeira música - não vou falar o nome - foi uma produção caseira, gravada em janeiro de 2014. Porém, logo após, lançou um clipe, Poucas Ideias, a convite do Work Produções, parte de um projeto de experimentação de novos artistas. Ainda em 2015 lançou mais um clipe e a faixa Meu Lugar, além de participar do 9° Encontro do Hip Hop no Memorial da América Latina, sendo que um de seus articuladores é aquele rapaz ali, da Secretaria de Cultura do Estado. Falo para as pessoas saberem quem é quem, para quem não sabe.

Souto MC foi integrada em várias rodas de debates e abriu o show do rapper Emicida. Souto MC, desde 2016, faz parte do projeto Terreiro de Compositores, onde o intuito é a preservação da cultura do compositor na cidade de São Paulo. Nesse mesmo ano participou da faixa do videoclipe produzido pelo coletivo e produtora DMNA, em parceria com Issa Paz, Sara Donato e Luana Hansen.

No último ano lançou de forma totalmente independente o single e o videoclipe Primeiro Lugar. Atualmente trabalha na gravação do seu primeiro EP, intitulado Espelho.

Com vocês, Souto MC. Venha receber seu prêmio.

- Entrega do prêmio a Caroline Souto de Oliveira, Souto MC, sob aplausos.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Canta muito, hem, parça! Quem não conhece, vai atrás.

A SRA. SOUTO MC - Mano, o que se fala nessa hora? (Pausa) Mano, antes de mais nada, agradecer a cada um que acredita no meu trampo. É muito da hora estar neste espaço, e não digo competindo, mas participando com uma rapaziada tão bacana do Hip Hop! Mano, olha quem que tá entregando este prêmio, parça!

Só tenho a agradecer: muito obrigada, muito obrigada! Obrigada, de verdade. Espero que eu consiga honrar este prêmio! É isso, gente: obrigada, obrigada mesmo! (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Olha só o nível dos caras! Graduado em Artes Visuais, pós-graduado em Educação Ambiental, leciona como arte-educador em instituições sociocultu-rais e ambientais. Em sua produção artística, utiliza-se do lúdico e da realidade onde se apropria de técnicas, materiais e suportes diferenciados. Também realiza curadorias de exposições, workshops e intervenções ao vivo, tendo realizado manifestos artísticos em diferentes cidades brasileiras, além de outros trabalhos internacionais, podendo assim propagar e socializar sua poética artística, interagindo na construção da sociedade.

Com vocês, do grafite, Dinas Miguel. (Palmas)

- Entrega do prêmio ao Sr. Ednei Miguel, o Dinas Miguel, sob aplausos.

O SR. DINAS MIGUEL - Bom, na real, a gente do grafite não manda muito bem no microfone, mas vamos lá. Na verdade, é momento de agradecimento. Acho que esse processo contínuo do Hip Hop, com relação ao que o prêmio significa na minha vida, o Hip Hop, mas, sobretudo, o grafite, significa tudo na minha vida. Hoje estou aqui por conta do grafite, o grafite já me levou a vários lugares. Tudo o que foi dito, foi para onde o grafite me levou. Ele me levou por alguns caminhos, a conhecer pessoas, e à questão educacional. O projeto é isso, são seres humanos, é a partilha, acho que isso é o que fica, é isso que eu reproduzo e busco fazer por meio do meu trabalho, que é socializar.

Nesses dias, estava em uma reflexão, para entendimento, após o acontecimento, a fatalidade que aconteceu com Ma-rielle, e até o entendimento sobre o meu trabalho, sobre o meu projeto de vida. Como o que eu faço chega e alcança as pessoas. Como eu quero que chegue, que bata e retorne das pessoas. Então é um processo contínuo de troca, de aprendizado.

Quero agradecer a todos que fazem parte dessa composição de ideias que me levam para a frente, sempre em busca de aprendizado. Tudo isso é uma conquista nossa, do movimento crescente de todos nós. (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Nascido e crescido em São Luís do Maranhão, desde novo sustentou sua mãe e sua avó na periferia da capital. Aos 15 anos, mudou-se para o centro de São Luís e teve seu primeiro contato com o Hip Hop por meio do skate. Logo se surpreendeu com a break dance que rolava perto de sua casa. O resultado dessa curiosidade foi alcançar o segundo lugar na categoria no município onde morava. Buscando independência e visibilidade, veio pra Sampa onde mora até hoje e tem participação ativa nas rodas de break lá da São Bento e em eventos importantes de Hip Hop, como: Hip Hop Política Contra o Genocídio; oficinas e apresentações na Virada Cultural de 2016. Recentemente se apresentou no fechamento do Mês do Hip Hop de 2017. E o cara é gringo.

Com vocês, façam barulho para o Chileno! (Palmas)

- Entrega do prêmio ao Sr. José Carlos Barroso, o Chileno, sob aplausos sincronizados.

O SR. CHILENO - Boa noite. Graças a Deus, eu me esforcei muito nesse trabalho.

Há muito tempo, em São Luís do Maranhão, passei pelos piores momentos da minha vida, passei pelo preconceito social, e cheguei a São Paulo onde encontrei pessoas maravilhosas que me apoiam constantemente nas rodas de break. São muitas pessoas bacanas: Ronei, os DJs, o André, o Guida, a Kika, e outras pessoas que apoiam o meu trabalho com o Hip Hop. Me esforço para fazer o Hip Hop da melhor maneira, pra fazer o Hip Hop acontecer. Hoje a juventude, em geral, fala claramente: Chileno, você é meu exemplo, admiro sua força de vontade e por dançar o break até hoje, porque muita gente parou. Eu não parei, continuo dançando. Graças a Deus! (Palmas)

Agradecer também ao Pepeu, o Pepeu que é meu amigo de longa data.

Muito obrigado. (Palmas)

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Quero convidar as pessoas selecionadas porque os melhores são todos os que participaram. E os que se destacaram - DJ, MC, grafiteiro, break -, por favor, venham à frente para fazer a foto solene.

- Registro fotográfico.

MESTRE DE CERIMÔNIAS - Quero deixar registrado, reforçar que precisamos, o movimento Hip Hop, acreditar no Prêmio Sabotage, pra ficar maior, porque o importante são as diferenças.

Há um diálogo que nós tentamos este ano, tem uma parte do Hip Hop que precisa entender, tem um lugar em que tudo é muito difícil, que é o lado da política, e nós não queremos. A gente houve um monte de coisas. O Prêmio Sabotage não é uma coisa simples, tipo "aqui tá da hora, tem um ranguinho lá embaixo". Não é só isso. Não, foi uma luta para ser efetivada essa lei desde 2004, e há poucos prêmios. Este ano nós tentamos. Ano passado as mulheres pediram, falaram: precisa ter prêmio para as mulheres, seriam então oito prêmios. E nós tentamos, só que os espaços são políticos, e nesses espaços temos de conversar seriamente, não é brincar de política.

E como este ano o ciclo do mundo deu a volta, quem fez o Prêmio Sabotage é presidente... Olha, eu preciso falar, parça: não é o Holiday que é presidente do bagulho! Presidente agora é a Soninha, e nós queremos compromisso dela de que, ano que vem, serão quatro prêmios para as mulheres e quatro para os homens, então serão oito prêmios. Façam barulho no bagulho! (Palmas)

Eu preciso agradecer. E para quem tem dúvida, quem faz o Prêmio Sabotage, vou falar o nome dos responsáveis pela parte administrativa e que têm um compromisso sério: Camila Fonseca, Ana Beatriz, Paulo de Paula, Fernanda Navarro, Gustavo Garbelotto, Carla Falconi, Raul Júlio e Gisele Machado. Se não fosse esse pessoal de Eventos, não haveria o Prêmio Sabotage. Eles fizeram uma parceria com o Fórum do Hip Hop para ter som etc. Palmas para o pessoal de Eventos. (Palmas)

Peço palmas também para o pessoal do Cerimonial da Câmara, a saber: Manuela Barbosa, Vitória Ré, Michele, Antonio Carlos e Cecilia de Arruda. Façam barulho! (Palmas)

Terminando, ouviremos a fala da Vereadora Francine - não posso falar Vossa Excelência porque o Doria falou que não tem mais essa lei. Por favor.

A SRA. PRESIDENTE (Soninha Francine - PPS) - Em 2005, quando foi apresentado o projeto para criação do Prêmio Sabotage, havia a intenção de homenagear, de prestar reverência ao Movimento, aos seus quatro elementos. A homenagem podia ser feita em outro formato, mas era importante que a Câmara Municipal de São Paulo prestasse reverência e homenageasse o Hip Hop.

Hoje o vocabulário está mais disseminado. Naquela época, a gente tinha de descrever, de explicar os quatro elementos, o que significavam. E ainda mais chamar o prêmio de Sabotage, as pessoas não compreendiam. Mas fazia parte esse nome, o prêmio se chamar Sabotage.

É muito legal ver hoje o Salão Nobre praticamente lotado, já participei de muitas sessões com número muito menor. E que agora seja para mais pessoas ainda. Este é o nosso compromisso.

Muito obrigada pela presença de todas e de todos.

Está encerrada a sessão solene. (Palmas)