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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A MÚSICA DA JUVENTUDE PRETA VIVA, NÃO PODE SER BRANCA FÚNEBRE.

Rapper Pirata

A música de enfrentamento dos atabaques está presente em nossa consciência, ela iniciou-se em há 100 anos na Serra da Barriga, estado de Alagoas, o som dela perturba os opressores do povo brasileiro, porque ela tem o ritmo de marcha por tambores. Para nós descendentes daqueles quilombolas, o ritmo de cada batida no coro do tambor nos dá a sensação de estarmos sempre prontos para lutar de cabeça erguida e também para amparar os outros que são abatidos pelos assassinos sociais da elite ariana brasileira. Durante anos mantemos como referencia histórica e de vida um desses heróis que lutaram contra a forma de estado da época, que tinha os seus construtores e trabalhadores pretos como inimigos, seu nome é Zumbi. Um herói que em razão de sua ousadia foi decapitado e mostrado em praça pública para mostrar o poder e a forma de justiça que se perpetuaria nessa nação, a que tem os pobres, pretos e periféricos como inimigos.

O fato do programa JUVENTUDE VIVA ter sido pensado para enfrentar a questão do extermínio da população negra jovem, que até podemos analisar como uma forma de combate ao racismo cultuado na sociedade brasileira, qual é regida em sua carta magna a obrigação do estado enfrenta lo. A discussão referente ao extermínio, tem como principio de identificar e eliminar o racismo epidêmico via instituições governamentais. Esse é o gargalo do programa, porque todos sabem qual é a causa desse alto índice estatísticos do mapa da violência do Brasil, exemplificando: O estado de Alagoas tem 19 pretos mortos para cada um branco morto. Se houver seriedade na garantia de vida de jovens pretos, pobres e periféricos que o programa se propõe, será necessário uma ação contra esse mal diretamente que se tem o diagnostico que são agentes públicos de segurança. Os promotores desse extermínio são agentes do estado representados pela instituição polícia, esses que agem com violência contra a juventude periférica, a mando e vistas grossas dos administradores políticos de prefeituras e governos estaduais. Os candidatos que projetam suas imagens no mito da segurança pública com a intenção de suas permanências nas cadeiras públicas em eleições, eles também usam esse drama para esconderem suas articulações subterrâneas com o dinheiro público de transferência para contas de famílias e empresas, as que pagam suas campanhas com a mensagem que o jovem preto, pobre e periférico são inimigo públicos da classe média, então são veiculados como bandidos por várias formas de mídias pelo país.

O projeto que vem sendo apresentado para sociedade brasileira mostra-se tímido ou melhor ele não responsabiliza os mandantes e nem os agentes que desrespeitam a leis constitucionais. Esses que barbarizam e aterrorizam os bairros pobres das cidades do país. Para não enfrentar esse problema, o programa inverte a mensagem de sua publicidade culpando as vitimas por perpetuarem a tal de cultura de violência, em locais que a presença do estado sempre é armada.

O projeto tornou um caça níquel de políticas públicas que durante anos não são efetivadas? Ele conseguirá criar a rede de proteção social somente pela via de marketing? Ele conseguirá respostas concretas no cotidiano das pessoas que são alijadas de direitos básicos? Perguntas que os articuladores do programa evitam responder, porque sabem o que se tem que fazer, portanto, estão amarrados por interesses não revelados, que podem até ser eleitoreiros porque o investimento em campanhas tem como margem de 50% da verba do programa.


Então o estado brasileiro mesmo com um programa de JUVENTUDE que foi uma conquista do movimento negro e com o foco principal da luta contra o racismo, manterá o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica, porque os genocidas sabem que existem brechas jurídicas para ficarem impunes administrando as instituições e governos. Esses sabem que violar as regras de direitos humanos não os responsabilizam em nada, porque eles mesmo criam regras que criminalizam os pobres para justificar suas ações contra os ancestrais de ZUMBI.     

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